vida de cão.

morte de quê?

Meia-tigela.

Chegou a hora do almoço. Na verdade, ela já passou há algum tempo.

Então, eu fico aqui… babando, farejando, imaginando o que tem nesse prato de comida. Sonhando se, dessa vez, estou temperando um bife de filet mal passado ao molho madeira.

O sonho da minha vida de cão é pular e destroçar esse filet e fazer-me feliz. Mas eu paro e penso: “pra quê?”. Será que isso não vai estragar tudo? Claro que sim. Claro que vai. Por isso eu fico, cá com minhas pulgas, imaginando o que estou preparando pra mim. Será que o purê de batatas vai estar naquele ponto? Aquele, um tanto salgado, um tanto doce, com consistência perfeita? Não tenho tanta pressa. Como um cão de caça, espero.

Porém a caça pode fugir. E eu? Como fico? Eu espero. Não tenho tanta pressa.

Eu sei que esse prato é meu. Um dia chego lá.

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