vida de cão.
morte de quê?Arquivo paraamor
O Jacaré pergunta: E agora, que…
…acabou o bolo, os salgadinhos e o refrigerante?
…acabou o gelo, a cerveja e o tira-gosto?
…acabou o jogo, as classificatórias e o campeonato?
…acabou o giz, a aula e o ano?
…acabou o analgésico, o tratamento e a esperança?
…acabou o azeite, o molho e o macarrão?
…acabou o show, a música e a festa?
…acabou o sono, o sonho e a fantasia?
…acabou o leite, o pão e a manteiga?
…acabou o mágico, o palhaço e o malabarista?
…acabou o dinheiro, a semana e os passeios?
…acabou o suco, o sanduíche e a vida light?
…acabou o serviço, o papel e a água?
- E agora?
- Deixe estar, Jacaré. Um dia a sua lagoa seca.
- Já secou. Agora, só me resta o vento, o sol e a vida.
- Mas há de melhorar.
- A esperança. Essa me restará até o fim dos meus dias.
Balada.
Nunca, em toda a minha vida, nos caminhos e caminhadas que fiz e que segui, me senti tão ao lado de alguém como ao seu; quando me apareceu, de repente, meio que do nada – ou do tudo –, numa mistura de força bruta e de doce encanto.
Eu, querendo aparecer, fazendo piada com tudo, agindo como um néscio, abri minhas portas e te convidei pra uma carona; um passeio por onde fosse. E você ria, porque não acreditava.
Mas eu estava além. Via o que queria e como queria; vendo amor em tudo. Abri-me a ponto de sentir dó das flores pelas quais passava, porque não as via, pois já sabia de qual jardim queria cuidar. E assim, como quem não quer nada, quando você já estava ao meu lado, fechei as portas e te seqüestrei.
E hoje eu sei que não sou mais aquele jardineiro esquisito. Sou, talvez, um piloto espaçonauta de uma espaçonave vagando pelo espaço; e você minha navegadora, que nos guia entre astronautas, anjos e estrelas, em direção à Lua, que dançam e nos chamam para voar.
E hoje eu sei que não sou mais aquele espaçonauta esquisito. Sou, talvez, um sonho; que, saindo do meu, entro no seu coração. Embora você não esteja dormindo, eu te hipnotizo e te levo à ficção, ao desejo de conhecer o Sol, lançando a pergunta: “por quê não? Eu te levo lá”.
Louco? Pode, quem quiser, pensar isso de mim. Pois eu te amo; mergulho no lago puro dos teus olhos; lanço-me no oceano infinito do teu beijo; fico desarmado, e deles, chego ao teu coração, como um explorador mambembe.
Na verdade nunca imaginei que pudesse passar por isso, abrindo mão do supérfluo, do egoísmo, de certas meninices, para poder estender a mão a alguém dizendo: “Vem, vamos embora, vem voar até a Lua ou o Sol. Voar por cima dos telhados, como deuses; com asas nas pés”.
Enquanto isso, de longe, muito longe, escutamos os brados, aclamando-nos loucos, por termos reinventado o amor; da multidão entre prazer e inveja, com sorrisos, brilhando e brincando. E nós, quem somos? Sei lá. Somos tontos, santos ou uma cantiga de ninar.
Agora eu sei que não sou mais aquele jardineiro esquisito; aquele espaçonauta esquisito; aquele sonho, explorador. Sou um louco, talvez. Esquece isso; me abraça e vem comigo. Me beija e vamos voar. Sem dor. Só voar.
Me ama como eu sou. Esquece outros amores e vamos fugir numa corrida louca, buscar o que já temos. “Voar, enfim, voar”.
Doces.
Pensar em nada, vivendo cada segundo como se fosse o primeiro e único. Assim cada minuto será, então, 60 surpresas.
Um beijo envergonhado, um vaso de tulipas, uma conversa despretensiosa, umas gargalhadas aqui e ali, uma caminhadela de mãos dadas no parque, um “tapa” seguido de um beijo; um vinho do porto acompanhado de chocolate amargo. Tudo com a trilha sonora perfeita para dois amantes, seja na caixa de som do computador ou nos autofalantes do coração.
Comprometi-me a viver assim. A mesma pergunta feita a cada dia, recebendo a mesma resposta e ficando tão feliz, ou mais, quanto da primeira vez que se ouviu o primeiro “sim”.
Não, isso não é estranho. Mas uma atitude para viver cada dia como o melhor de nossas vidas.
Quando tomei essa decisão? Há muito. Quando tomei a atitude? Ao perceber que a cada segundo que passa a gente vai perdendo oportunidades preciosas. É aquela história: viver cada dia como se fosse o último de nossas vidas. Pois é fui além.
Porque os doces momentos da vida estão acontecendo o tempo todo.
Mas os cafés que o dia-a-dia nos serve, deixando-nos estressados, fazem com que não percebamos o doce mel que nos segundos há.
The Pogues – I love you ’till the end.
I just want to see you,
when you’re all alone.
I just want to catch you if I can.
I just want to be there
when the morning light explodes;
On your face, it radiates.
I can’t escape,
I love you ’till the end.
I just want to tell you nothing
you don’t want to hear.
All I want is for you to say:
“Why don’t you just take me
Where I’ve never been before?
I know you want to hear me
catch my breath.
I love you ’till the end”.
I just want to be there
when we’re caught in the rain.
I just want to see you laugh not cry.
I just want to feel you
when the night puts on its cloak.
I’m lost for words, don’t tell me,
’cause all I can say…
I love you ’till the end.
Para baixar: ILoveUTillTheEnd.mp3
Sem razão.
Não sei o que estou fazendo aqui, agora.
Não tenho sobre o que escrever, mas o que me trouxe foi um sentimento puro e sincero.
O amor, que está sendo alimentado pela cumplicidade e, em muito, pela saudade me faz querer pôr pra fora coisas que nem eu mesmo sei o que são. Simplesmente exteriorizar palavras a esmo que, talvez, não farão sentido para ninguém que as lerem. Mas a mim fazem; e muito.
A parte mais difícil da saudade é a espera.
A espera por uma chamada no telefone, por uma mensagem no celular, por um e-mail qualquer.
A espera para ouvir a voz de quem se ama, ler uma ou duas linhas, ou mais, dizendo que a saudade que estamos sentindo não é de um lado só.
Essas esperas a gente tira de letra.
Mas tem uma maior, que é a que mais dói e contra a qual a gente mais luta: a espera pelo reencontro.
Esta espera, em especial, faz com que a gente se prenda ao que temos no coração e ao que passionalmente racionalizamos. Não se assuste, a passionalidade racionalizada, neste caso, é mais racional que qualquer outra coisa. Pode, na verdade, até ser o contrário. Podemos estar “passionalizando” o racional.
É a profusão dessa confusão que nos dá a certeza do que sentimos.
É a profusão dessa confusão que nos faz sentir que o amor existe, mesmo que à distância.
É a profusão dessa confusão que nos faz ter a certeza de que podemos, muito bem, seguir em frente apesar dos receios, impelidos pelo desejo de que tudo fique bem.
Nada demora tanto que não valha a pena lutar.
Embora digam que “quem espera sempre alcança”, devemos ter em mente que mesmo que o mundo dê voltas e mais voltas, não adianta ficar esperando. Temos de agir e fazer as coisas acontecerem.
“Quem espera sempre cansa”, dizem os incrédulos. A verdade é que quem sempre espera, cansa.
Portanto, não vou esperar por nada.
Não vou esperar por uma chamada no telefone, por uma mensagem no celular ou por um e-mail qualquer.
Vou ligar e escrever.
Vou falar da minha saudade, para que saiba que a saudade que ela está sentindo não é de um lado só.
E, quem sabe, uma chamada no telefone, uma mensagem no celular ou um e-mail qualquer me surpreenda numa manhã, tarde, noite ou madrugada fria de uma segunda, terça, quarta, quinta, sexta-feira ou de um sábado ou de um domingo domingo.