vida de cão.

morte de quê?

Arquivo parador

O Jacaré pergunta: E agora, que…

…acabou o bolo, os salgadinhos e o refrigerante?
…acabou o gelo, a cerveja e o tira-gosto?
…acabou o jogo, as classificatórias e o campeonato?
…acabou o giz, a aula e o ano?
…acabou o analgésico, o tratamento e a esperança?
…acabou o azeite, o molho e o macarrão?
…acabou o show, a música e a festa?
…acabou o sono, o sonho e a fantasia?
…acabou o leite, o pão e a manteiga?
…acabou o mágico, o palhaço e o malabarista?
…acabou o dinheiro, a semana e os passeios?
…acabou o suco, o sanduíche e a vida light?
…acabou o serviço, o papel e a água?
- E agora?
- Deixe estar, Jacaré. Um dia a sua lagoa seca.
- Já secou. Agora, só me resta o vento, o sol e a vida.
- Mas há de melhorar.
- A esperança. Essa me restará até o fim dos meus dias.

Mínimo.

Qual o valor das pequenas coisas?

Qual o valor de uma pétala de rosa,
de um elo da corrente,
de uma pedra do anel,
do brilho de um olhar?

Qual o valor das suas palavras,
se elas não são acompanhadas de atitudes?
Qual o valor das suas ações,
se elas não são acompanhadas de sinceridade?

Por que, então, atemo-nos a admirar a rosa e não uma de suas pétalas?
Afinal, se uma delas não está lá, ela, a rosa, não está completa.
Por que, então, atemo-nos a observar a corrente e não um de seus elos?
Afinal, se um deles não está firme, ela, a corrente, não está segura.
Por que, então, atemo-nos a valorizar o anel e não uma de suas pedras?
Afinal, se uma delas não está lá, ele, o anel, não é mais o mesmo.

Por que admiramos um olhar e não seu brilho?

Por que, então, atemo-nos a fazer o máximo e esquecemos do mínimo?
Talvez porque estamos sempre ocupados pensando no depois, que, sem o agora, não faz muito sentido.
Talvez porque estamos sempre achando que o máximo vale mais.
Mas ele não vale quase nada, se comparado com o mínimo.

Pingüim de casaco de lã.

Quem já assistiu ao documentário Marcha dos Pingüins viu que uma imagem que circula pela www é real. Nessa imagem desenrola-se um diálogo mais ou menos assim:

- Você sabia que os pingüins, quando encontram sua parceira, ficam juntos pelo resto da vida?
(silêncio…)
- Quer ser meu pingüim?

Esse é um dos diálogos mais singelos e mais lindos que já vi.

Talvez por ser pisciano, com tudo à flor da pele.
Talvez por acreditar no amor eterno, apesar dos pesares.
Talvez por, simplesmente, achar que podemos ser pingüins.

Entretanto, sentindo-me como tal, procurei imagens na internet que mostrassem pingüins tristes. E achei uma espetacular, que segue:

Ao ver esta foto (que é de um bicho de pelúcia, claro), minha pseudo-psicóloga (que é psicóloga) fez o seguinte comentário: “eu nunca vi pingüim de casaco”.

Esse é o real objetivo da coisa. Ver o que não se vê. Afinal, algum filósofo já disse que o essencial não está no que se vê.
Portanto, gostaria de esclarecer o que me fez ser um pingüim de casaco de lã.

Lá fora a neve. Há neve. E eu aqui, nesse lugar inóspito, sem saber se posso sair para (re)encontrar minha pingüim, ou que acredito ou gostaria que seja.
Portanto, preso aqui, nada mais posso fazer, a não ser tentar me aquecer e esperar o calor do momento passar, quebrar a janela ou o aquecedor e deixar tudo frio e lindo, branco e puro como a neve lá de fora.
Enquanto isso me martirizo buscando um meio para quebrar a janela ou o aquecedor de uma vez por todas, imaginando se ela gostaria de tentar ser minha pingüinzinha.

O motor do mundo.

Quanto mais vivemos ou sobrevivmemos percebemos que as coisas mudam.
As sombras dos prédios mudam de lugar durante o ano. Os ventos mudam, a força das ondas, a maré sobe e desce umas quatro vezes por dia, as luzes da cidade mudam e mudam, até, as paisagens das cidades que não tinham luz. Isso a gente percebe.

O que gente não percebe, ou custa a perceber, é o quanto mudamos em certas situações.
Nossas atitudes, ações, comentários, posições, argumentos, palavras, gestos, atenções. Tudo isso passa desapercebido durante alguns meses, talvez anos.

O fato é que o motor do mundo funciona com esse combustível misterioso, que se chama amor… o amor gratuito, puro e verdadeiro. O amor pela vida. E é ele quem nos faz mudar. Que venha de fora pra dentro. Nós somos o tanque desse combustível, basta mandar pro motor e tudo fica bem.

O mais importante é não temer.
Sem desespero ou sofrimento, temos de lembrar que tudo passa, até uva passa.

E se é pra lembrar de alguma coisa, lembremos que tudo tem seu lado positivo.

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