vida de cão.

morte de quê?

Arquivo paradúvida

Chão de nuvens.

Onde ando?
No ar rarefeito ou na poluição segura?
No amor platônico ou na paixão do homem?

Onde durmo?
Na ilusão palpável ou na realidade torpe?
No mundo ou na fábula?

Onde piso?
No chão macio ou em nuvens sólidas?
Na vida ou nos sonhos?

Aonde vou?

Portas.

Era noite. Eu caminhava numa ruazinha estreita de calçamento com subidas e descidas intermináveis.
Não havia ninguém por perto, salvo um cachorro que decidira me acompanhar e que me olhava com cara de “te anima, rapaz” sempre que decidia descansar um pouco.
Quando, numa dessas descidas, já estava quase choroso, vi você.
Na porta da sua casa, cor de rosa, sentada, quase ofuscada pela turba que estava na sala, corredor, cozinha e quartos.
Você não me parecia feliz.
Tinha um cigarro na mão direita e uma dose de rum puro na mão esquerda e o olhar distante.
Percebi ali a oportunidade de saber o que a longa caminhada fizera de mim.
Cheguei, sentei e suspirei. Mal conseguia respirar. Tamanhos o cansaço e o deslumbre.

Tive sorte de ter pegado a rua errada. A rua da sua casa.
Passaram-se cinco, 10 minutos até que consegui dizer a primeira palavra: oi.
Bastou. Você me ouviu, sorriu, abriu a porta e convidou a entrar. Entrei.
Lá dentro, embora tenha encontrado um ou dois conhecidos, ainda me sentia estranho.
Encontrei um cantinho pra mim. Juntei gente. Afastei outras. Mas você me olhava.
Fui percebendo que a horda de bárbaros que me cercava fora dali — e muitas vezes eu acompanhava — não me fazia mais sentido.
Vou ficando. Até quando der.

Você faz questão de deixar a porta aberta. Eu não quero sair.
Resta saber se você aceita que eu amarre meu burro aqui ou quer que eu procure outra estância.