vida de cão.

morte de quê?

Arquivo parareflexão

Mínimo.

Qual o valor das pequenas coisas?

Qual o valor de uma pétala de rosa,
de um elo da corrente,
de uma pedra do anel,
do brilho de um olhar?

Qual o valor das suas palavras,
se elas não são acompanhadas de atitudes?
Qual o valor das suas ações,
se elas não são acompanhadas de sinceridade?

Por que, então, atemo-nos a admirar a rosa e não uma de suas pétalas?
Afinal, se uma delas não está lá, ela, a rosa, não está completa.
Por que, então, atemo-nos a observar a corrente e não um de seus elos?
Afinal, se um deles não está firme, ela, a corrente, não está segura.
Por que, então, atemo-nos a valorizar o anel e não uma de suas pedras?
Afinal, se uma delas não está lá, ele, o anel, não é mais o mesmo.

Por que admiramos um olhar e não seu brilho?

Por que, então, atemo-nos a fazer o máximo e esquecemos do mínimo?
Talvez porque estamos sempre ocupados pensando no depois, que, sem o agora, não faz muito sentido.
Talvez porque estamos sempre achando que o máximo vale mais.
Mas ele não vale quase nada, se comparado com o mínimo.

Formigas.

É gigante, aqui fora.
É gigantemente lindo.
É gigantesco.
Tudo.

É perigoso, aqui fora.
É perigosamente lindo.
É perigosíssimo.
Tudo.

Mas é de uma leveza.
Mas é de uma beleza.
Tudo.

E é de verdade.
Até a morte.
Até.

Correndo pela casa.

Cada cômodo que entro,
cada chinelo que encontro,
cada brinquedo que mordo,
cada intruso que abordo.

Cada pessoa que vejo,
cada canto que cheiro,
cada prato que como,
cada sonho que sonho.

Tudo que vejo,
tudo que cheiro,
tudo que como,
tudo que sonho.

Tudo em que entro,
tudo o que encontro,
tudo o que mordo,
tudo que abordo.

Cada um de tudo que.
Nada parece meu.
Talvez porquê nada seja.

Fugindo.

Eu sou como um pit bull.
Mais temido que perigoso.
O que mais quero é brincar.
Mas não me deixam.

Com a vida a gente percebe.
Não é por querer,
mas o tempo nos persegue.
Para quê?

Tanto faz saber ou não.
Tanfo faz. Deixa pra lá.
As coisas se ajeitam.

E o que vem de lá pra cá?
Tanto faz. Deixa que venham.
Que sejamos adultos, então.

Eu não tenho textos.

Eu não tenho textos.
Sou de imagens,
mas escrevo.

Como uma criança que brinca,
tentando fugir de qualquer coisa.
Nem que seja da imposição da escola
ou de um vaso quebrado sem querer.

Eu não tenho textos.
Sou de imagens,
mas escrevo.

Como o fugitivo de uma prisão,
que tenta quebrar as correntes
que o prendem ao chão,
que sempre não é onde precisa pisar.

Eu não tenho textos.
Sou de imagens,
mas escrevo.

Seja com cores, retas ou curvas.
Passo-a-passo, letra-a-letra, dia-a-dia.