vida de cão.
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Nadação. A arte de fazer nada.
- Oi, o quê cê tá fazendo?
- Nadando.
- E por que não faz alguma coisa de útil?
- Tô fazendo, ué. Nadar é bom.
- Eu não consigo.
- Por isso que você é afobada.
- Até parece.
- Sério. Pensa só: se você nadasse, teria mais tempo pra resolver as inutilidades das coisas úteis.
- Han?
- Que parte você não entendeu? Eu quis dizer que você teria mais tempo pra fazer suas coisas, sem precisar se desesperar.
- Tá complicando.
- Tô nada.
- Seja claro.
- Então… Quando você está nadando, uma profusão de reflexões te vêm à mente. Você pode pensar nas situações diversas, medir, extrapolar os limites da razão, imaginar o que aconteceria se você fizesse tudo certo ou tudo errado e tomar decisões mais seguras e certeiras, entre áspas.
- É… Tudo bem. Mas cada caso é um caso.
- Realmente. Vou arrumar o que fazer. Nadar não leva a nada.
- Eu discordo.
- Mas eu não quero mais fazer nada.
- Por quê?
- Porque quero fazer algo com você. Topas um filme?
- Topo.
- Ótimo, que tal um documentário sobre a estética nazista que Hitler quis implantar na Europa?
- Sei não, não tô com ânimo pra isso.
- E que tal um documentário sobre a língua portuguesa? Todos os dias, mais de 200 milhões de pessoas sonham em português.
- Esse é legal.
- Imagino que seja. Quem sabe a gente sonha junto.
- Eu topo.